Eu nasci, cresci e comecei a envelhecer desconectado. Para enfrentar o mundo, normalemnte eu tinha meu RG, algum dinheiro , e duas fichas telefonica. Guardadas no bolso, na meia, ou onde melhor protegidas elas estivessem, me salvaram muitas vezes.
Isso, claro, envolvia a aventura de achar um orelhao que funcionasse, e , pacientemente, na fila, esperar a minha vez enquanto aprendia sobre a vida dos outros. Alem das varias tentativas de enganar a maquina de fliperama com a ficha de telefone, essa e outra das minhas lembrancas deste tempo: como a vida de todos era publica, e o quanto eu nao gostava de saber que o pessoal ali estav ouvindo minha conversa.
talvez isso explique eu odio atual ao Nextel. Em todos os cantos da cidade a que vou, tem sempre um individuo que usa seu Nextel como walkie-talkie de acampamento infantil, gritando sua vida para o outro lado, e recebendo os gritos de volta. podem me dizer o que quiserem, mas ninguem vai me convencer que e preciso usar o aparelho assim - ate porque, outro dia, um rapaza falava, baixo, no telefone : " amor, fala baixo ai do seu lado, se nao todo mundo escuta aqui e incomoda". Se ele pode, todos podem...
Mais do que aquele barulhinho no inicio e no fim de cada fala, entendi o que me incomoda: e essa perda de rivacidade, esse abrir as portas das suas discussoes privadas que esta de volta, e do qual ficamos livres com a chegada dos celulares. Sinceramente, nao preciso comecar meu dia compartilhando os problemas para dormir do minha vizinha de banco, ou a despedida antes de viajar do moco em pa na porta do trem.
Ate porque, para dividir suas historias com o mundo, o orelhao era bem mais charmoso.Pena que eles estao morrendo por descaso...
( nao entendeu a ultima frase? E porque este comercial aqui, um dos meus preferidos, nao e da sua epoca...)
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